2000 (Parte 3): A Grande vacilada e a grande sacada! – EP. #009


“Peça desculpas, não peça licença…”.

Ouvi esta frase em 2011, em uma palestra de um cara da Construtora Tecnisa. Isso foi mais ou menos uns 10 anos depois daquele fato relacionado ao novo portal da Eliane, que comecei a contar no artigo anterior, e que quase me fez sair da empresa. Apesar da diferença de tempo, essa frase ilustra bem aquela situação complicada que eu passei.

No último texto comecei a falar de uma grande vacilada que acabei cometendo, ao desenvolver e colocar no ar um novo projeto, sem a autorização do meu chefe. No dia seguinte à publicação do novo site, eu fiquei sabendo, através de outra pessoa que a minha atitude não foi vista com bons olhos pelo meu superior direto, e que isso, provocou um mau estar entre os envolvidos no assunto.

O Resultado da Grande Vacilada

Passaram-se alguns dias, e o chefe me chamou pra uma conversa. De forma extremamente profissional, e muito educado, como sempre, ele perguntou o que havia acontecido. Sem titubear, pedi desculpas, pela minha atitude precipitada, e por não tê-lo comunicado do projeto.
Logo em seguida comecei a explicar o conceito que utilizei no novo portal da empresa, e as referências que eu segui pra desenvolver o projeto.

Falei que existia uma forte tendência indicando que os sites deveriam apresentar informações mais objetivas, diretas, o que justificava a ideia de destacar os conteúdos, já na capa do portal. E assim, facilitar a navegação dos usuários, aumentando o engajamento.

Falei também, que além do novo layout, o projeto trazia como novidade, uma área restrita para manutenção dos conteúdos dinâmicos, como Notícias, Dicas, Galeria, entre outros. E tudo isso só foi possível após meses de estudo e desenvolvimento, utilizando Linguagens Dinâmicas e Banco de Dados.

Conversamos bastante naquele dia, e ele entendeu as minhas reais intenções, valorizou muito o resultado final do projeto, e a situação foi resolvida, apesar do pisada de bola que eu dei.

Aí você pode me perguntar: mas, Eder, como você conseguiu guardar em segredo esse novo projeto???
– Consegui, porque eu estava envolvido com vários outros projetos dentro da empresa, e o novo portal eu desenvolvia nas horas vagas, no intervalo do almoço, ou após o horário normal. Puxa saco eu, hein… :))

Então podemos dizer que a minha única falha foi não ter mostrado o site pronto, antes de colocá-lo no ar. E, isso, como já comentei também, aconteceu devido a um conjunto de situações que fizeram com que eu pulasse essa importante etapa, e publicasse o portal antes de falar com a minha chefia.

Existe um lado bom nisso tudo, que tem muito a ver com a frase que eu falei lá no início deste vídeo: “Peça desculpas, não peça licença”.

Talvez, se eu fizesse o processo tradicional, solicitando autorização pra desenvolver a nova ideia, ela não teria acontecido tão rapidamente.

Então fica a dica: se você sabe realmente o que está fazendo, e tem certeza que a sua ideia é boa,  invista nela, e surpreenda seu chefe. Caso contrário, outro pode fazer isso no seu lugar.

O Simulador de Ambientes

Fiz outras coisas legais lá dentro da Eliane, como por exemplo: fui responsável pela implantação de um simulador de ambientes, integrado ao site da empresa. Não estou falando de um simulador com desenhos em 3D, ou de uma simples aplicação de produto em fotos 2D.

A ferramenta implantada fazia simulações de aplicação de pisos e azulejos, em fotos de ambientes reais, em perspectiva.

Esse simulador foi desenvolvido por uma empresa chamada Bootstrap, com sede em São Paulo, e comercializado com várias indústrias cerâmicas no Brasil e no exterior. A Bootstrap já era fornecedor de software da Eliane, e desenvolvia outros sistemas de simulação de ambientes, utilizados nos show-rooms da empresa.

Participei diretamente da negociação de compra e da implantação deste software, na época.

A Bootstrap apresentou a nova tecnologia durante a FEICON, aquela mesma feira onde fiz as coberturas online, via internet, que falei neste vídeo.

Mas a compra da ferramenta não foi tão simples assim. Olha só como aconteceu: nos meus intervalos de descanso, entre uma filmagem e outra, lá no espaço da Eliane, passei no estande de um grande concorrente, que ficava bem ao lado do nosso. Dei uma espiada e vi que o pessoal da Bootstrap estava fazendo demonstrações do simulador de ambientes, para os clientes que visitavam o estande do concorrente.

Fui lá conversar com eles, e constatei que o concorrente havia adquirido o software antes de nós,

Pois bem, lembra que eu falei em outro vídeo que a minha função principal era manter a empresa na vanguarda das tecnologias emergentes na área de internet?

Não perdi tempo, e marquei uma reunião com a diretoria da Eliane, pra avisar que estávamos deixando de aproveitar a oportunidade de sermos pioneiros na utilização daquela ferramenta.

A diretoria entendeu a situação e pediu pra eu agilizar o processo de negociação com a Bootstrap.
Tínhamos algumas vantagens em relação aquele concorrente: o software da Bootstrap, que rodava integrado ao site, também usava banco de dados Access – o mesmo que usei no novo portal.
Outro ponto positivo foi que o nosso catálogo de produtos já estava todo formatado de acordo com a estrutura de funcionamento do simulador.

Isso foi crucial para retomarmos o tempo perdido.
Após alinharmos todos os pré-requisitos técnicos para implantação da ferramenta, chamamos o diretor comercial da BootStrap, para uma reunião comigo, e com o diretor comercial da Eliane, na sede em Cocal do Sul.

A parte principal da conversa foi relacionada ao valor da solução, que por sinal, era bastante elevado. Mesmo assim chegamos em um acordo, e concretizamos a compra do simulador. Depois de algumas semanas a ferramenta já estava integrada ao novo portal, e assim, a Eliane lançou a novidade antes da concorrência e deu um grande salto no que se referia a interatividade na internet, pois o simulador de ambientes foi um sucesso!

O Retorno do Novo Site

Pra fechar o assunto sobre o novo portal da Eliane, também naquela época, participamos de um prêmio chamado IBest. muito respeitado no Brasil.

Ficamos em primeiro lugar na categoria Indústria, naquele ano.

Fizemos uma forte campanha, incluindo, a divulgação do site entre funcionários, clientes, fornecedores e público em geral, e um investimento alto em mídia paga, nos portais Terra e UOL, através de banners.

A gente comprava PageViews, pois não existiam links patrocinados ainda. Ou seja, pagávamos pela quantidade de vezes que os banners eram exibidos na capa do portal, independente da quantidade de clicks. E essas ações aumentaram muito a audiência no site.

Eu, cantando ‘Muleca’ na Gincana

Trocando de assunto, mas ainda dentro da Eliane: a vida lá não era feita só de trabalho, aliás, o pessoal era muito gente boa, e o ambiente super tranquilo. Inclusive, uma vez por ano, a Eliane promovia uma Gincana de integração, com todos os funcionários do setor administrativo.

Participei de uma edição dessa gincana, e, mais uma vez, a criatividade foi um fator fundamental pra gente chegar no resultado esperado.

Você deve saber como uma gincana funciona, certo? São várias tarefas a serem cumpridas. Então, lá as equipes foram divididas por departamentos, e o meu, era o departamento de marketing.

Resumindo: ficamos empatados com uma outra equipe, em primeiro lugar, no resultado final das tarefas.

Estou contando isso, pra falar da tarefa que eu fiz. A descrição dela era: Cantar uma música sertaneja, caracterizado de roqueiro.
Eu já tinha me vestido de roqueiro em outra festa que fizemos restrita ao pessoal do nosso departamento (coloquei bota, roupa preta, calça colada, peruca loira comprida, maquiagem, e por aí vai). Por isso, assim que a nossa equipe viu aquela tarefa na lista, antes da gincana, não deu outra, me chamaram pra interpretar o roqueiro cantando sertanejo. Ainda por cima, fizemos um dupla – eu e a Grazi.

O resultado? Dá uma olhada aqui neste link pra entender melhor o que estou falando… 😛

E o que isso tem a ver com o assunto anterior? Tudo! Faça a diferença seja lá qual for a tarefa que você se comprometeu a fazer. Não importa se é desenvolver o site da maior indústria cerâmica do Brasil, ou intermediar a negociação de uma ferramenta inovadora que custou milhares de reais, ou ainda, se é cantar em cima de um palco, vestido de roqueiro, pra dezenas de pessoas na sua frente. Faça! E faça o melhor que você puder! E pronto!

Bom, vou parando por aqui, e no próximo artigo, vou finalizar o assunto sobre o período em que estive na Eliane. Vou falar mais sobre as coisas que eu e o Erlon Cachoeira, fizemos lá dentro, sobre o patrocínio que eu consegui pra participar das arrancadas de fuscas, e ainda vou explicar os motivos que me levaram a pedir demissão da empresa, contrariando muita gente…

Tá sentindo falta daquela perguntinha esperta? Então lá vai: interage aqui nos comentários e me diz se você já participou de alguma negociação importante na empresa que você trabalha, ou na sua própria empresa, e se essa negociação foi fundamental para o sucesso do seu negócio. Ou se deu tudo errado, comenta também. Conta aqui embaixo pra mim.

Um grande abraço, muito obrigado por me acompanhar nessa jornada. E Até a próxima!!!

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