2000 (Parte 2): E-Learning e o novo portal Eliane – EP. #008


O projeto de E-Learning Corporativo não teve a evolução que eu esperava, por isso, eu quase saí da empresa… Quer saber o que aconteceu, acompanha o texto até o final… 😉

Uma coisa que esqueci de falar anteriormente, é que no início de 1999, eu já não era mais prestador de serviço da Eliane. Um pouco antes de eu completar um ano de trabalho, a presidência resolveu me contratar como funcionário, carteira assinada, etc.

Foi uma decisão baseada no fato de que eu lidava com projetos estratégicos da empresa, por isso, eles ficariam mais seguros se eu fosse contratado em definitivo.

O Projeto de E-Learning Corporativo

Voltando ao assunto do projeto de E-Learning Corporativo, que comecei a falar lá no outro texto, aconteceu o seguinte: depois de eu montar o projeto, onde coloquei todas as vantagens e desvantagens, características técnicas, embasamento teórico, logística de distribuição dos conteúdo, software e hardware necessários. Contemplei também, exemplos de treinamentos reais, com instrutores da própria Eliane, e mais um monte de especificações. agora era a hora de buscar apoio da diretoria da empresa. Foi isso que eu e o Júlio, gerente de tecnologia da Eliane, na época, fizemos.

Iniciamos uma jornada para demonstrar todos os ganhos que a empresa teria com a implantação deste projeto.

O objetivo principal era provar que este tipo de tecnologia traria uma grande redução de custos, e ao mesmo tempo, tivemos que desmistificar o risco de comprometimento da qualidade na capacitação dos funcionários. Ou seja, o famoso “Custo x Benefício”. Porém, o conceito e a tecnologia eram extremamente novos.

Na verdade, ainda não existia a cultura de ensino a distância. Ela só veio a ser difundida bem mais tarde.

A Tecnologia SMIL

Os exemplos de treinamentos que fizemos, foram desenvolvidos com uma tecnologia representada pela sigla SMIL, que significa (Synchronized Multimedia Integration Language), onde era possível integrar imagem, vídeo, áudio, texto e animação em uma interface única, e tudo, totalmente sincronizado.

Essa tecnologia fez com que nós pudéssemos criar exemplos de treinamentos extremamente didáticos e interativos, em uma época em que a capacitação de funcionários ocorria apenas com o deslocamento dos instrutores e, as vezes, também, dos funcionários, elevando muito os custos e demandando uma grande logística em razão do número de filiais e show-rooms que a empresa tinha, espalhados pelo Brasil.

Eu estava com a faca e o queijo na mão, ou seja, trabalhava em uma grande empresa, de atuação nacional e internacional, e dominava o uso de uma tecnologia revolucionária.

Apresentação para a Diretoria

Bom, o primeiro contato da diretoria da Eliane com esse projeto foi durante a cobertura da FEICON, em 2000, onde eu propus desenvolvermos um projeto de E-Learning Corporativo, com base na mesma tecnologia que eu havia produzido o material de cobertura da feira, disponibilizado via streaming, na época.

A Diretoria gostou muito da ideia, mas não apontou que seria prioridade naquele momento.

Confesso que isso foi meio que um ‘banho de água fria’, sendo que eu tinha dedicado muito tempo naquela ideia, e criei a expectativa de que seria apoiado logo de início. Erro da minha parte.

Um tempo depois, conversando com o Júlio, ele me fez entender que a ‘não priorização’ da nossa ideia, não significava que ela era ruim, ou que não seria implantada um dia. Apenas que, naquele momento, a empresa não enxergava como algo necessário e urgente.

Apesar de bastante inconformado, entendi que eu estava dentro de uma empresa de Revestimentos Cerâmicos, e não, em uma empresa de Tecnologia.

De qualquer maneira, não tenho nada do que reclamar, pois além de um cargo de destaque dentro da empresa (Analista de Web), de um ótimo salário, e de trabalhar com pessoas extraordinárias no departamento de marketing e T.I.

Eu ainda tinha total liberdade pra desenvolver minhas ideias. E esse, o projeto de e-Learning Corporativo, foi apenas um, entre tantos outros projetos que implantei durante o tempo em que estive lá.

A Novo Portal

Eu tinha tanta liberdade, que mais ou menos nessa época, inicie uma grande reformulação no site da Eliane, por conta própria. Na verdade foi o desenvolvimento de um site totalmente novo.

Lembra que o site atual ainda era aquele desenvolvido por uma agência externa, criado logo que eu comecei a trabalhar lá?

Enfim, este ainda site era quase 100% estático, ou seja, foi criado utilizando praticamente nenhuma linguagem dinâmica. Eu digo ‘praticamente’, porque havia um formulário de ‘fale conosco’, onde o pessoal da agência utilizou CGI-BIN, pra interface de armazenamento de dados. Só…

O Erlon Cachoeira

Bom, antes de eu comentar sobre o projeto do novo site e sobre uma grande vacilada que eu dei lá dentro da Eliane, relacionada a este projeto, vou falar sobre o Erlon Cachoeira, meu primo, aquele que foi o nosso primeiro estagiário, e que comentei anteriormente.

Pois bem, antes de ir prestar serviço pra Eliane, trabalhávamos eu e o Erlon, na Tecmedia.

Logo que fui trabalhar em Cocal, deixei o Erlon responsável pela manutenção dos projetos que estavam em desenvolvimento na empresa. Mas, a demanda estava cada vez mais baixa, e o Erlon acabou ficando ocioso.

Assim, aos poucos, ele foi deixando de trabalhar na Tecmedia, e eu praticamente fiquei só com os serviços na Eliane, que era bastante coisa, por sinal.

Eram muitos projetos novos e uma quantidade considerável de solicitações internas. Esse ‘sucesso’ todo se deu pelo próprio crescimento da internet, no Brasil, pela excelente repercussão dos outros sites que havia desenvolvido, principalmente pela cobertura das feiras de 1999 e 2000, e pelo meu próprio trabalho de evangelização dos projetos de internet, dentro da empresa.

A Contratação de um Estagiário

Por tudo isso, chegou uma hora que a quantidade de serviço era grande demais pra eu conseguir dar conta sozinho, sendo assim, consegui a aprovação para contratar um estagiário, pra me auxiliar.

Você já deve estar imaginando qual foi a primeira pessoa que veio na minha cabeça. Sim, o Erlon.

Rapidamente fiz um contato com ele, expliquei sobre a oportunidade, e ele se interessou em um primeiro, mas depois, acabou não mostrando muita empolgação com a minha proposta.
O motivo era que, naquela época, ele já estava se envolvendo com outra área: ele estava trabalhando com eventos, com música. Não lembro ao certo o que era.

Mas, enfim. Aí eu que jogar pesado, pra ter certeza que o Erlon não iria perder aquela grande oportunidade: conversei com o pai dele, o meu tio, sobre a oferta de trabalho para o Erlon, na Eliane.

No dia seguinte, o meu tio levou o Erlon lá na empresa, em Cocal do Sul, pra fazer a entrevista com a coordenadora do departamento de marketing, a Elenice. O resultado não poderia ser diferente. O Erlon foi contratado, A Elenice adorou ele.

Na verdade todo mundo gostava muito do Erlon, pois ele era um cara extremamente simpático, e muito alto astral, sempre com um ‘sorrisão’ no rosto, e disposto a ajudar.

Foi muito bom poder levá-lo pra trabalhar comigo dentro da Eliane, e assim, recompensá-lo, por todo o empenho dele lá no início da Tecmedia.

Vou falar mais sobre o Erlon, em outros vídeos. Tenho várias histórias com ele. Ele era praticamente um irmão pra mim. <3

Erlon e Eder Cachoeira
Erlon e Eder Cachoeira

O Novo Portal da Eliane

Voltando a falar do projeto do novo site da Eliane: além das tarefas de rotina que eu desempenhava dentro da empresa, comecei a estudar linguagens de programação dinâmicas, e iniciei o desenvolvimento do novo site utilizando ASP, uma das linguagens dinâmicas da época, e banco de dados ACCESS, da Microsoft.

A ideia era que o site fosse uma espécie de ‘portal’, com vários conteúdos dinâmicos e destacados na capa.

Trabalhamos durante vários meses, implementando as páginas e a estrutura de banco de dados. Depois do site pronto, eu precisava colocá-lo no ar, e divulgar aquele novo projeto.

Mas cometi um erro muito grave, talvez por excesso de auto-confiança, e também por administrar de forma equivocada a liberdade que eu tinha dentro da empresa.

A minha intenção foi a melhor possível, mas o que fiz gerou um grande desconforto com os responsáveis dos departamentos que eu estava vinculado.

A Grande Vacilada

O que fiz foi o seguinte: Mantive a ideia do novo site em ‘segredo’. Poucas pessoas sabiam do desenvolvimento daquele novo projeto. Basicamente só eu, o pessoal da computação gráfica, e alguns arquitetos que trabalhavam na sala ao lado da minha.

Ou seja, eu não pedi autorização para os meus superiores diretos, nem para desenvolver, nem para publicar o portal.

Mas não pense que eu simplesmente publiquei o site sem comunicar ninguém. A autorização que eu consegui foi do próprio diretor presidente da Eliane, o cargo máximo dentro da empresa. Consegui isso através de uma arquiteta, subordinada diretamente a ele, e que acompanhou a criação do novo site, pois trabalhava na sala ao lado da minha, como eu já comentei.

Eu jamais tive a intenção de passar por cima dos meus superiores, mas o contexto da situação e a minha ingenuidade diante da importância daquele projeto, fizeram eu cometer esse erro.

Coloquei o site no ar, e no dia seguinte, eu soube do tamanho da merda que eu tinha feito…

No próximo vídeo…

No próximo artigo conto mais sobre este assunto. Vou falar quais as consequências dessa falha, e contar o que aconteceu após eu ter cometido essa grande Gafe.

A situação foi bem complicada, e eu tive que ser muito coerente na argumentação que usei pra amenizar os ânimos dentro da empresa.

Agora vem aquela perguntinha básica, pra que você possa interagir com os assuntos que falei aqui no vídeo: você já passou por alguma situação onde fez algo errado, e isso te deixou em uma posição delicada, tendo que dar explicações para o seu chefe? Qual foi essa situação? Como você saiu dela? Comenta aqui embaixo!

Um grande abraço, muito obrigado por me acompanhar, e até o próximo!!

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