2000 (Parte 4): Erlon Cachoeira, e o meu pedido de demissão – EP. #010


O meu ‘porque’

Quase no final do ano 2000 eu pedi demissão da Eliane. Contrariei um bocado de gente. Deixei pra trás um emprego onde eu tinha um ótimo salário, fazia o que eu gostava e tinha total liberdade. Quer saber se eu me arrependi ou não? Bora lá então!

Minha família, meus amigos e os colegas de trabalho ficaram bastante surpresos com minha decisão, que contrariou lógica da maioria das pessoas. Por isso, ouvi perguntas do tipo: pô, Eder, vai pedir demissão de uma empresa como a Eliane? Cara, olha o salário que tu tem! Vai fazer o que, depois? Voltar pra Tecmedia, que nunca te deu grana? Vai insistir no erro?

E a minha resposta sempre foi a mesma:

Quero fazer mais… Quero ajudar mais empresas, quero dar emprego pra mais gente, quero desenvolver mais projetos, quero aprender e ensinar mais coisas.

Porém, nem todo mundo entendia o meu ponto de vista. Bicho, eu respeitava a opinião das pessoas, mas no fundo, eu pensava comigo, FODA-SE! Isso é o que eu acho certo, e eu vou fazer desse jeito! Vou pedir demissão!

O Erlon Cachoeira

Mas antes de eu contar como foi o meu desligamento, deixa eu falar mais um pouco sobre o Erlon Cachoeira, o meu primo, o primeiro estagiário da Tecmedia, e que consegui levá-lo pra trabalhar comigo lá na Eliane.

Quando eu resolvi pedir demissão, fazia mais ou menos uns 6 meses que o Erlon estava trabalhando comigo. Ele me ajudou em várias coisas lá dentro, incluindo os projetos de e-commerce, de e-learning corporativo e do novo portal.

O Erlon era estagiário naquela época, e acabou sendo efetivado depois da minha saída. A gente mantinha contato frequente, pois além de meu primo, eu considerava ele como um irmão. Sempre tivemos uma relação muito tranquila, e de parceria.

Ele me contava muita coisa que acontecia com ele, relacionado a trabalho, lá dentro da Eliane, e eu tentava dar conselhos pra que ele aproveitasse ao máximo essa experiência, e que isso ajudasse ele na sua vida profissional.

Afinal, ele foi uma das primeiras pessoas a acreditar na Tecmedia, e isso era o mínimo que eu poderia fazer para retribuir o apoio.

Depois de eu ter me desligado da empresa, sempre que eu podia, passava na Eliane pra dar um “olá” pro Erlon e pro pessoal que trabalhava no departamento de marketing.

Mais ou menos de 2002 à 2004, eu montei uma filial da Tecmedia, em parceria com outra empresa, em Criciúma, e frequentemente me hospedava alguns dias por semana, na casa onde moravam o Erlon e o Charles, lá em Cocal do Sul. Eu dormia em um sofá cama na sala deles, e a gente ria e comia muito miojo juntos.

O Erlon formou-se em Sistemas de Informação, e eu dei aula pra ele, já que era professor da universidade onde ele estudava, inclusive fui orientador do TCC dele e de um colega.

A triste notícia

Estava indo tudo muito bem, até que uma noite, enquanto eu dormia, no meu apartamento, em Tubarão, com a minha namorada, recebi uma ligação no celular. Olhei e era o número do Erlon.

Mas na verdade era o irmão dele no telefone, o Ewerson, também meu primo, que me surpreendeu com a triste notícia de que o Erlon havia sofrido um acidente de carro, enquanto vinha pra Tubarão, e falecido.

Foi horrível receber aquela notícia no meio da noite, e ficar sabendo que eu nunca mais ia poder ver aquele cara tão sorridente, que todo mundo adorava, e que eu tinha uma estima sem igual.
Mas tenho certeza que ele cumpriu o papel dele nesse plano, levando alegria e carisma por onde passou.

Então eu deixo aqui, minha homenagem e gratidão eterna ao meu irmão de coração, Erlon Cachoeira.

A saída da Eliane

Agora vou terminar o assunto sobre o meu pedido de demissão (só pra não haver confusão, eu saí da Eliane bem antes do Erlon falecer).

Não foi uma atitude que tomei de uma hora pra outra. Comecei a avaliar essa possibilidade quando eu percebi que o cultura das empresas da região estava mudando, em relação a internet.

Como falei lá no início deste artigo, apesar de eu ter excelentes oportunidades dentro da empresa, eu precisava ‘fazer mais’, e o meu ‘fazer mais’ era ‘fazer mais coisas’, com ‘mais pessoas’, em ‘menos tempo’, com a liberdade que só quem é dono do próprio negócio, tem.

Por isso, depois de avaliar bem a minha decisão fui conversar com o Júlio, o mesmo cara que fez a minha entrevista inicial, que me contratou, que me apoio em todos os meus projetos, e que sempre valorizou muito as minhas ideias.

Expliquei pra ele, os meus motivos para estar saindo da empresa. E ele, como sempre, muito sensato em suas avaliações, compreendeu, e aceitou, apesar do sentimento de tristeza, em encerrar aquela parceria de sucesso que tínhamos.

De qualquer forma, o Júlio acabou também saindo da empresa um tempo depois, e chegamos a desenvolvemos alguns projetos juntos, em outros clientes.

Cumpri meu aviso prévio, repassei todas as minhas tarefas para o Erlon, e hashtag #partiTubarãoComeçarDeNovo.

Me arrependi?

Agora, respondendo a pergunta principal desse artigo: será que eu me arrependi de ter saído da Eliane? E a resposta é:

Apesar de tudo de bom que aquele emprego representava pra mim, eu nunca fiquei remoendo aquela decisão. Tenho certeza que, apesar de todos os obstáculos que enfrentei, e que enfrento, na Tecmedia, tudo valeu e vale a pena.

Consegui realizar aqueles desejos que eu comentei antes: de desenvolver um número maior de projetos, de atender uma variedade enorme de empresas, de empregar bastante gente, consegui mais oportunidades como professor e estou conseguindo, acima de tudo, evoluir como pessoa. Depois de errar muito, de tentar corrigir sempre que foi possível, e de acertar cada vez mais (ver artigo do aniversário de 22 anos da Tecmedia).

Por isso, cara, nunca deixe de acreditar em você! Invista nas suas ideias, mesmo que as pessoas não te compreendam em um primeiro momento. Se você tem certeza que está fazendo o bem, siga em frente!!! Porque a certeza de estar fazendo o certo, só depois terminar, meu querido! 🙂

Parei com o fusca

Com a minha decisão de sair de um ótimo emprego, tive que deixar muitas coisas de lado. Tive que fazer (e ainda faço), muitos sacrifícios, entre eles, deixei de lado um hobby que eu adorava: participar de arrancadas de fusca.

O início dessa “brincadeira” foi junto com o início da Tecmedia, e durou cerca de 5 anos. Foram dezenas de troféus, várias derrotas, muitas vitórias, muito, muito aprendizado e muitas amizades durante esse tempo.
Parte desses 5 anos de arrancadas, a própria Eliane patrocinou a nossa equipe, disponibilizando uma verba mensal para ajudar nas despesas.

Este, é só um dos motivos para agradecer muito, aquela empresa. As experiências que tive lá foram super importantes para a minha carreira, e as pessoas com quem convivi, extraordinárias.

Pessoas especiais

Vou citar apenas algumas, mas que representam todos os demais colegas de trabalho daquele tempo: o Júlio e a Elenice, que eram meus superiores diretos, o Tadeu, o Daniel e o Charles, que trabalhavam comigo na Computação Gráfica, a Rozana, o Ederson, o Carlos, a Grazi e a Viviane, que eram do setor de arquitetura, e mais a Verinha e a Sirlene, assistentes de marketing, o Wagner, o Reginaldo e o Frango, que faziam a parte de setor de design de produtos, o presidente da Eliane, na época, o Adriano Lima, a toda a diretoria da empresa, que sempre valorizou o meu trabalho, ao meu primo, Erlon Cachoeira, que está lá em cima, alegrando o céu e olhando por nós, e a tantos e tantos outros amigos que conquistei lá. Muito obrigado, mesmo!!!

No próximo artigo vou fazer um resumão desses primeiros 10 episódios da História da Tecmedia, e vou falar sobre os principais erros e acertos dessa primeira fase da empresa.

Acompanha aí que ainda tem muita coisa legal. Agora lá vai aquela perguntinha habilidosa pra você responder aqui nos comentários: Você já pediu demissão de algum emprego pra investir em um negócio próprio, ou simplesmente pra ir trabalhar em uma outra empresa ganhando menos, mas fazendo o que você gostava? Responde aí pra mim!!

Muito obrigado!!!
Um grande abraço, e até o próximo!! Fui!!

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