2002: Quatro empregos e a sala do inferno – EP. #015

Em 2002 cheguei a trabalhar em quatro empregos ao mesmo tempo: gerenciando a Tecmedia, dando aulas no SENAC e na Universidade, e administrando a filial de um Provedor de internet, aqui na região.

Mesmo assim, não foi fácil dar a volta na crise financeira que estávamos passando. Foram vários meses trabalhando das oito da manhã às dez e meia da noite, de segunda a sábado, sem parar. No meio disso tudo ainda resolvi mudar o escritório da Tecmedia de endereço. Sabe o que foi a pior parte? Acompanha aí!

O mar não estava pra peixe

Financeiramente falando, as coisas ainda não estavam muito bem. Eu tinha acabado de ser contratado como professor na Universidade, ainda trabalhava no SENAC, e alguns cheques pré-datados ainda faziam parte das minhas previsões orçamentárias. Eu também já havia vendido aquele Pálio Zero, que comprei enquanto estava na Eliane. Na verdade, eu troquei o Fiat Pálio 1998 por um Ford Escort 1992, e peguei R$ 3.000,00 de volta. Aqueles três mil reais sumiram feito mágica.

Equipe reduzida

Na época eu também fui obrigado diminuir um pouco o tamanho da equipe, pois precisava enxugar a nossa estrutura pra poder seguir adiante.
Algumas das estagiárias também saíram, pois não se identificaram com o trabalho de programação, e resolveram tentar outras áreas.

Quem trabalhava comigo, nesse período, eram a Kátia, a Mirian, a Cláudia, e a minha irmã, Glaucia. Porém, como a situação financeira da empresa ainda era crítica, e eu não poderia me dar ao luxo de trabalhar só 3 empregos (rsrsrsrs).

O emprego de gerente

Pra entender bem o que eu precisei fazer, presta atenção na seguinte história:

Aqui em Tubarão existia uma franquia de um provedor de internet. Inclusive a Tecmedia mantinha uma parceria com esse provedor.

Um belo dia, enquanto trabalhava junto com a minha equipe (em uma sala nova. Vou falar sobre essa sala mais adiante), recebi um e-mail informando que o atual escritório do provedor iria fechar, e que uma nova filial seria inaugurada em breve. Não perdi tempo e mandei um e-mail para o responsável pela reestruturação do provedor, reafirmando o nosso interesse na parceria.

O cara respondeu logo em seguida, convidando para uma reunião. Fui até o escritório temporário, onde ele estava tratando dos preparativos para a inauguração da nova filial, e conversamos bastante.

No meio da conversa ele jogou, meio ‘sem querer’, que estava precisando contratar um gerente para tocar a nova filial.

A oportunidade

Ele também comentou que talvez não houvesse interesse da minha parte porque eu já tinha meu compromisso com a Tecmedia. Fiquei meio receoso no início, mas depois tive que admitir o interesse na vaga. Conversamos e nos acertamos.

A partir daí, comecei a trabalhar em horário comercial, no provedor de internet. Nos intervalos do almoço e antes de ir pra faculdade, eu organizava os projetos na Tecmedia, com o apoio da minha equipe, e a noite , dava aulas na universidade e no SENAC.

Fui contratado pelo provedor de internet para ser gerente da filial, e ajudar a amenizar os ânimos dos clientes. Por que isso? Porque o antigo representante daquele provedor abriu uma outra empresa, no mesmo segmento, ou seja, iniciou-se uma disputa entre a filial do provedor e o antigo franqueado, pelos clientes de banda larga em Tubarão.

Tarefa dada é tarefa cumprida

Durante todo o tempo em que fiquei trabalhando para este provedor, meu papel principal foi o de manter os atuais clientes dentro da carteira. A grande maioria dos assinantes do provedor era moradores de condomínios residenciais. Conversei pessoalmente com quase todos eles. Foram mais de um centena de visitas e muita conversa.

Para cada um, eu falava praticamente as mesmas coisas, tentando convencê-los a não mudar para o concorrente. Fiquei naquele emprego por quase 5 meses, e consegui cumprir a tarefa. Ganhei uma grana pra ajudar na recuperação da Tecmedia, conheci muita gente, aprendi bastante coisa, me decepcionei com outras tantas, e pedi demissão.

Voltei a ficar trabalhando em tempo integral na Tecmedia, e a noite, continuava como professor, na faculdade e no SENAC.

Resolvi mudar de endereço

Só vou voltar um pouquinho no tempo e falar sobre um outro erro que cometi. Foi quando resolvi mudar o escritório da Tecmedia de endereço. Isso aconteceu um pouco antes de ir trabalhar no provedor.

Lembra que eu falei que tinha investido na contratação de pessoal, e na compra de móveis e equipamentos, por causa daquele projeto do cliente que deu pra trás? Mas não foi só com isso que eu gastei grana. Como o espaço ficou pequeno pra acomodar a nova equipe, também aluguei uma segunda sala lá no mesmo prédio. Ficamos com duas salas. Foi nesse momento que aconteceu aquela ‘treta‘, que comentei no artigo anterior.

Só que além dos problemas gerados por aquele negócio mal feito, que nos causou um grande prejuízo financeiro, também começamos a enfrentar problemas com o nosso acesso a internet. A conexão era muito ruim, e ninguém no prédio conseguia resolver, por consequência, nosso trabalho ficava muito prejudicado.

A sala de fogo

Depois de várias tentativas para resolver a situação, decidi procurar um outro local. Aluguei uma nova sala comercial, desta vez, em outro prédio, também localizado no centro da cidade. Aquele mesmo prédio que tinha sido o primeiro escritório da Tecmedia, que eu comentei lá no vídeo sobre a Fundação da empresa. Só que, dessa vez, a sala era no último andar do prédio.

Erro: tomei uma decisão sem pensar

O que eu não considerei (erro grave) é que aquela sala, em específico, pegava sol o dia todo, justamente pela posição que ela se encontrava, e por ser no último andar. Era verão, e quando eu percebi o calor insuportável dentro da sala, era tarde demais. Já estávamos instalados.

Comecei a procurar alternativas para tentar amenizar o calor: instalei 2 aparelhos de ar condicionado, dos grandes. Não deram conta. Mandei colocar película refletiva em todos os vidros, e olha que tinha um monte de vidros. Não resolveu muito. Aí mandei instalar persianas em toda extensão da fachada da sala. Que também não era pequena. O calor diminuiu, mas ficou longe de se tornar um ambiente agradável para trabalhar.

Ficamos naquela sala por alguns meses, e depois nos mudamos novamente. Dessa vez, para um local bem menos quente. Ufa!

Dica: faça um check-list

Antes de se instalar em algum lugar, faça um check-list, e avalie tudo o que estiver relacionado aquela mudança. Pense nos mínimos detalhes, e considere valor do aluguel, condomínio, espaço físico, localização, temperatura ambiente, fornecimento de energia e internet, vagas de estacionamento, proximidade com restaurantes, bancos, comércio, possibilidade de expansão, iluminação, ruídos, vizinhança, etc. (Ver check-list no final)

Erro: não detalhar o escopo

Pra fechar este vídeo queria falar de um outro projeto que desenvolvemos naquele mesmo ano, e que também gerou um certo prejuízo.

Desta vez foi o site para um curso de uma determinada instituição de ensino aqui da região. O negócio foi feito com a coordenação do curso, que também ficou responsável em nos fornecer todo o material para construirmos as páginas. Até aí tudo bem.

O problema aconteceu quando a pessoa responsável pelo curso nos entregou uma lista de informações para serem cadastradas, diferente daquela apresentada inicialmente, quando definimos os valores do projeto.

Tentei explicar pra coordenadora que seria necessário revermos os valores, pois o trabalho a ser feito era bem maior do que o informado inicialmente, mas não teve jeito.

A pessoa foi irredutível, inclusive nos ameaçou judicialmente, caso nos recusássemos a cadastrar todo o material que ela queria. Para evitar um conflito maior com o cliente, executamos o serviço, sem cobrança adicional.

O prejuízo

O meu erro, aqui, foi o de não ter definido detalhadamente, o escopo do projeto. Apesar da má fé do cliente, a forma como negociamos, fez com que ficássemos sem argumentos, e acabamos gastando mais tempo do que o estimado, gerando mais prejuízo.

Dica: invista tempo antes para não perder tempo depois

A dica aqui é sempre definir, em detalhes, o escopo de um projeto, seja ele qual for. Não deixe assuntos inacabados, conteúdos sem definição, funcionalidades subjetivas, dúvidas mal resolvidas. Invista tempo antes, para não perder tempo depois”.

Agradecimento

Quero aproveitar este vídeo para reconhecer a importância, e agradecer de coração, as pessoas que fizeram parte da equipe Tecmedia, naquela época. São eles: o Ricardo, a Suzana, a Luciana, a Luciene, a Mirian, a Kátia, a Graziela, e a minha irmã, Glaucia.

Obrigado por ajudarem a construir essa história!

Próximo episódio

No próximo episódio vou falar sobre a parceria que a Tecmedia fez com uma empresa de Criciúma, para desenvolver um sistema na nuvem. Sobre a filial da Tecmedia que precisei abrir por causa dessa parceria, e ainda sobre o malabarismo que eu fazia pra dar conta de duas equipes, em cidades diferentes, e das aulas a noite.

Conta pra mim!

Agora conta pra mim se você já se mudou para algum lugar novo, e acabou se arrependendo depois. Conta aí se o lugar onde você foi morar ou trabalhar acabou se transformando uma baita furada pra você. Comenta aqui embaixo e compartilha a sua experiência com a gente!

Muito obrigado e até o próximo episódio!!

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