Globo Repórter e a mensagem da Dilma sobre a saúde no Brasil

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Na sexta, dia 13, assisti ao Globo Repórter ( Link ) e ontem, 14, vi a mensagem da nossa “presidente”, falando, com um leve sorriso no rosto, sobre a saúde no Brasil.

Por mais que eu saiba e defenda, que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, fica a pergunta: Como pode existirem dois extremos tão gritantes em um país como o nosso?

Por um lado, essa corrupção nojenta, que parece não ter fim nem punição, essa burguesia que ostenta coisas fúteis e sem sentido, esses jovens mimados, com a vida ganha, jogando dinheiro pelo ralo para se aparecer, esses políticos demagogos que mentem ano após ano, chamando o povo de idiota, esses programas de tv, sensacionalistas e sem conteúdo, que dão dinheiro para quem tem dinheiro, essa máquina pública imunda acobertando desperdício em cima de desperdício, esses governantes que se esquivam quando os problemas sérios aparecem, e tantas outras coisas “inaceitáveis”, que aceitamos.

E do outro lado, pessoas sendo tratadas como bichos (ou pior) nos hospitais, como estorvos da sociedade, como pecadores sem perdão, como pedintes sem razão, como inimigos dos que não querem assumir responsabilidades, como não merecedores do mesmo mundo que os ricos vivem, como marginais em uma prisão de sofrimento eterno, e muitas outras coisas ruins.

Como eu disse, uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Mas como pode um país gastar “zilhões” com corrupção, com cargos políticos medíocres e super valorizados, com desperdícios infindáveis do dinheiro público, com uma arrecadação tributária que daria para garantir uma cidadania digna para todos os brasileiros, e muitas outras coisas lógicas, que deveriam estar acontecendo para o bem das pessoas? E esse mesmo país deixar a situação dos pobres, chegar onde chegou?

Ou seja, teremos a Copa do Mundo e as Olimpíadas, no mesmo país em que pessoas estão morrendo nos corredores dos hospitais, por falta de atendimento. E o pior, alguns desses hospitais, ao lado da capital do Brasil, ao lado das pessoas mais poderosas do governo.

Vamos apenas supor que todos os brasileiros fizessem um boicote em relação a qualquer tipo de grande evento (Copa, Olimpíadas, etc), que não fosse, exclusivamente em prol dos problemas críticos que a população enfrenta, atualmente. O que aconteceria?

Algumas pessoas iriam dizer que esse tipo de ação prejudicaria a imagem do país lá fora. Outras pessoas falariam que não deixariam de ir a um jogo da copa do mundo, só porque tem gente morrendo por falta de atendimento em um hospital ali do lado. Outras falariam que seria uma atitude muito radical para resolver um problema complexo. Outras pessoas diriam que a seleção brasileira de futebol e as pessoas (que compraram ingressos para ir aos estádios), não merecem serem prejudicados pelos erros dos políticos do nosso país.

Pensando além, uma atitude radical (sem depredações e sem violência) como esta, seria tão impactante, que todo o mundo prestaria muito mais atenção no Brasil. Prestariam muito mais atenção do que, em todos os gols que seriam feitos, nos jogos da copa.

Provavelmente, também existiriam pessoas falando que seria um fiasco, os brasileiros boicotarem a copa. Sendo que foi investido muito dinheiro para que o evento acontecesse aqui. Outras pessoas falariam que seria um prejuízo sem precedentes para o país, pois muitos investidores, deixariam de acreditar no Brasil. E que nunca mais receberíamos uma copa do mundo de futebol.

Tudo bem, seria algo realmente sobrenatural. Imaginem todos os jogos da copa, sem a presença dos brasileiro, nas arquibancadas?
Todo o mundo ficaria impressionado com essa atitude. Todo o mundo, teria como primeira impressão, que foi uma tremenda falta de respeito, de nós, para com eles, pois vieram até o Brasil para uma festa e encontraram uma manifestação coletiva, que “estragou tudo”.

Muito provável que os jogadores da seleção brasileira se sentiriam ofendidos, com a falta de apoio do povo brasileiro, nos jogos. Mas eles, tem dinheiro suficiente para superar isso.

Muito provável que os políticos ficariam preocupados com a reputação do país, depois dessa atitude. Mas eles, tem dinheiro suficiente para superar isso.
Muito provável que os veículos de comunicação ficariam frustados, por terem seus planos, estragados. Mas eles, tem dinheiro suficiente para superar isso.
Muito provável que algumas das pessoas que pagaram ingresso, ficariam indignadas por ver seu sonho de assistir aos jogos da copa, em seu país, prejudicado. Mas eles, tem dinheiro suficiente para superar isso.

Enfim, as pessoas que realmente irão participar desses grandes eventos, não necessariamente são ricos, mas conseguiriam superar, financeiramente, esse episódio.

E pra que tudo isso?
Só para mostrar ao mundo, que o país sede da copa do mundo de 2014, não é capaz de evitar que pessoas morram nos hospitais, por falta de atendimento ou por falta de recursos?
Sim, só para isso.

E depois? Como lidar com os problemas que uma manifestação assim, poderia trazer de ruim para o Brasil?
Quem sabe teríamos um ano inteiro de estagnação, um ano inteiro de faxina na saúde pública, um ano inteiro de trabalho sério, um ano inteiro de mutirões colaborativos, um ano inteiro de nivelamento social.

É, nivelamento social! Prioridade total para as necessidades básicas da população mais carente do Brasil, ou seja, um ano dedicado as pessoas que estão morrendo por falta de comida, por falta de tratamento médico, por falta de condições básicas de sobrevivência.

E a Copa? E as Olimpíadas?
Deixa pra lá!

Não estou propondo acabar com os investimentos em esportes, cultura, lazer, mas sim, para darmos atenção a quem está morrendo pela simples falta de coisas básicas para a sobrevivência do ser humano.

Vamos convidar os expectadores de outros países, que virão para o Brasil, para, ao invés de irem as arenas (estádios), participarem de mutirões a favor da pobreza e das pessoas carentes.

Se fizermos um mutirão gigantesco, mobilizando todos os brasileiros e todos os visitantes que estivem em nosso país, e ainda, obrigar o governo a dedicar todos os esforços e investimentos, para resolver os problemas críticos que a mídia mostra todos os dias, na TV, acho que teremos um grande problema para resolver, mas também teremos um grande exemplo de solidariedade, seriedade e cidadania, para o mundo todo.

Aí, quem sabe, faria mais sentido, a nossa “presidente” ir para a televisão, com um sorriso sincero no rosto, para falar sobre saúde.

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